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terça-feira, 20 de setembro de 2011

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Underground – A união que não faz a força, desabafo sobre a cena atual !!

Por Eduardo Junior

Underground (na língua inglesa, o mesmo que “subterrâneo”) trata-se de uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia, também conhecido como movimento ou cena. A cultura underground também pode ser chamada de contra-cultura. Analisando…

O termo Underground ganhou notoriedade a partir da década de 60 e foi utilizado para definir os movimentos artísticos e intelectuais que começaram a surgir na época. Hoje, na cena da música pesada (a qual estou ligado diretamente) é comum ver bandas, promoters ou ‘profissionais’ se utilizando falsamente do termo “underground” e denominando eventos ou determinadas bandas/músicos como sendo parte desta cena. O termo remete a algo independente, sem mídia, sem apoio e etc, mas, analisando friamente, o que todos em meio ao underground justamente buscam é a projeção, a exposição, o destaque na mídia, controverso não?

Muitas das bandas ditas grandes hoje em dia e que se vangloriam de terem sido erguidas com bases no underground não honram na prática o que pregam. Quem é do underground, ou lucra com ele de alguma forma, tem todos os seus argumentos, discursos e pseudo ideologias baseadas no princípio da união e da cooperação mútua entre os envolvidos, porém, contudo, entretaaaaaanto, eu pergunto: será mesmo? Vejo este tipo de conduta hoje em dia com extrema desconfiança, exceto por algumas raríssimas exceções de pessoas, veículos de comunicação, bandas e locais que realmente apóiam a cena de fato e que levam a bandeira do underground com honestidade e atitude, porém, infelizmente, tratam-se de raríssimas exceções a uma triste regra.

Temos hoje inúmeras bandas que surgiram do underground, conseguiram uma certa notoriedade na cena, ganharam o mundo e que após isto, viraram literalmente as costas para esta mesma cena que os ergueu, sem possuir um pingo de noção de união e corporativismo outrora pregado por eles; não mais possuem o espírito de união com relação a bandas que estão começando ou que não possuem a mesma notoriedade, e novamente por essa razão, eu questiono: isto é união? Apoiar as raízes? Atitude? Quando questionadas a respeito, estas bandas se apóiam na premissa de que hoje em dia são “profissionais” e etc, aquela velha máxima de que dinheiro está em primeiro lugar e move tudo; que o amor pela música, pela ideologia, pela atitude sempre é algo dito como sendo prioridade somente da boca para fora, pois na verdade isto é algo secundário. Estas mesmas bandas “grandes” em seus shows ou aparições, pregam e usam o nome do underground até hoje, colocando-se como uma espécie de porta voz da cena, o que considero ridículo pois a teoria e a prática se diferem…

Hoje em dia para se obter um destaque em revistas consagradas do gênero, não é preciso ter qualidade musical e atitude, isto é secundário e também relativo já que gosto musical é algo particular e difere de pessoa para pessoa, mas, de um modo geral, como tudo na vida, basta ter bolso forte e disposição para pagar e você ou sua banda facilmente conseguem ter uma página inteira em uma revista de nome na cena, ou um destaque na “index” de qualquer site forte especializado. É muito comum ouvirmos certas “lendas” na cena, porém, com um fundo de verdade, de que algumas bandas muitas vezes fracas em qualidade e fortes no bolso pagaram para abrir shows de bandas consagradas, o famoso “jabá” que é antigo na música, mas, como se prega a pseudo união na cena underground… Bandas com certo nome recebem também este “jabá” para permitir que qualquer banda disposta a pagar abra seus shows, casas consagradas cobram por isto e etc, e o pior é que existem bandas que efetivamente pagam por isto e reforçam este tipo de conduta lamentável.

Temos casas de shows famosas em SP, no Brasil e creio que também no mundo, onde bandas novas não possuem nenhum tipo de espaço e apoio, exceto bandas cover, que obviamente incorporam e transmitem a energia da banda que homenageiam, ou trocando em miúdos, estão todas “Gozando com o órgão alheio”, porém, atraem público maior e consequentemente lucro maior para todos os envolvidos no evento e justamente por isto o “apoio” a este tipo de banda trata-se de algo indiscutivelmente maior por parte das casas especializadas, e de toda a mídia. Nesse ponto, vejo que a culpa disto é do público que movido pela paixão a determinada banda, deixam de lado a ideologia e a cena como um todo. Logicamente que com relação as casas especializadas e também com relação a imprensa escrita ou falada, eu entendo e compreendo que hoje em dia manter um estabelecimento de portas abertas ou um veículo de comunicação funcionando é algo totalmente complicado, até mesmo pelas dificuldades econômicas e operacionais que são exigidas para tal, porém, o apoio a cena independente é totalmente nulo, praticamente não existe, e quando é dado, salvo exceções, as bandas são exploradas, mal compreendidas e desacreditadas.

Consursos para levar bandas a festivais grandes, a selos de gravadoras e etc, são sempre alvos de boatos sobre sua veracidade e credibilidade, bem como do compromisso com a música pura e simplesmente, sempre deixando no ar boatos sobre “cartas marcadas” e etc, mais um ponto lamentável para a cena. É inadmissível a meu ver, que uma banda, seja obrigada a pagar para tocar. Elas gastam dinheiro com ensaios, com gravação, com aparelhagem, deixam o sangue e o suor nos ensaios e produzem o que deveria ser o único e relevante atrativo para se apresentar, a música e somente a música deveria ser o termômetro para estas escolhas e abertura de espaços.

A intenção de quem esta começando é sempre divulgar o trabalho e as vitrines por sua vez exploram através de valores (monetários) para dar espaço a estas bandas. Isto a meu ver é um abuso, uma falta de consideração com as bandas e com quem esta batalhando um lugar ao sol, por isto a cena esta fraca, com bandas ridículas e vazias, sem feeling, sem sentimento e infelizmente, mesclar qualidade musical e ideológica com força monetária é como encontrar uma agulha no palheiro. Hoje em dia, somente a força monetária é que esta sendo observada. Esta dita exploração e pseudo apoio a cena não se restringe tão somente aos pubs e casas de show, como também contamina revistas, sites, rádios, veículos de divulgação e comunicação diversos, sempre salvo as raríssimas mas existentes exceções.

Antigamente, lendo as histórias de bandas consagradas e monstruosas, tipo Iron Maiden, Slayer, e etc, nós que somos músicos nos acostumamos com a idéia de que algum dia, um olheiro vai ver o nosso show, vai acreditar no nosso trabalho e vai levar a banda adiante: cuidado!!! Muito cuidado com essa ilusão!!! Existem pessoas na cena, que iludem as bandas novas, iludem os músicos com promessas de crescimento, projeção e apoio, e as bandas, com imensa sede de mostrar seu trabalho, acabam se rendendo as exigências dos mesmos e fazem com que este tipo de situação se torne uma armadilha, em que cada vez mais as pessoas e bandas se tornam vítimas.

Hoje em dia é comum diante da lucratividade que é gerada, presenciar bandas “fakes”, bandas digamos que “humorísticas” sendo vangloriadas e tratadas como sendo bandas de verdade e que rapidamente ganham a cena, invadem a mídia, recebem enorme destaque e apoio de todos os lados. Nada contra bandas que possuem este tipo de linha musical e de “ideologia”, apesar de não concordar com as mesmas, eu as relativamente respeito até porque a culpa é de quem vangloria este tipo de “banda”, ou seja, o próprio público, isto reflete a fraqueza da atual cena, a maioria vangloria bandas de mentira pela falta de bandas de verdade competentes e com conteúdo.

Enquanto bandas que tiram sarro da cena e da história da música pesada ganham cada vez mais espaço, bandas sérias, competentes, porém de bolso fraco, são trancafiadas no ostracismo e fadadas a viver no dito “underground” já que a união neste caso não faz a força, a não ser na falsa pregação de quem conseguiu por N razões e relativo mérito atingir uma certa projeção e reconhecimento, e que continua a levantar a bandeira do underground. Bom, pelo menos algo eles ajudam a erguer, nem que seja somente a bandeira…

PS.: me reservo no direito de não citar nomes, meu objetivo com este texto é somente alertar as bandas e as pessoas que estão no underground e na cena, e não apontar o dedo a ninguém. Cada um que conclua da forma que achar melhor.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Um pouco sobre o Metal e os Headbangers




Você já parou pra pensar: “porque eu sou headbanger?”
Ou “o que significa tudo isso” ?

Será que ser headbanger (ou metaleiro, como muitos chamam, mas aqui vou usar o termo headbanger) é só se vestir de preto, cheio de couro e tachas, usar coturno e balançar muito a cabeça em shows?
Será que somos só isso?
Bom, muitas pessoas desinformadas sobre o Metal, metem o pau na gente dizendo que somos só um bando de loucos que fazem parte de uma “seita” que balança a cabeça (exemplo aqui: http://lorenti.org/wp-content/2007/10/veja.jpg)
Será que nosso querido estilo musical é só uma barulheira, como diz nessa matéria deprimente da Veja?

NÃO! Definitivamente, não!
Metal é um estilo de música, música é arte e arte é um meio de expressão! O Heavy Metal é uma cultura mundial e ramificada que se utiliza da música para expressar seus pensamentos e sentimentos.
Pensamentos esses que variam em cada estilo dentro do Heavy Metal, mas basicamente são pensamentos de liberdade; de indignação com a hipocrisia da sociedade; de extravasar a raiva de tantas merdas que vemos por aí.


Os músicos do Metal são em grande parte, ótimos músicos, pois têm a capacidade de compor melodias complexas (as vezes extremamente complexas) com ótima sonoridade e letras muito boas!
Claro que para muitos brasileiros, uma música muito complexa acaba sendo só uma “barulheira sem sentido” , pois não compreendem, e para eles é muito mais fácil ouvir um pagodinho. (não desmerecendo o pagode, mas que é muito mais simples, é)
Além de todo esse lance de ideologia e músicas muito pensadas e sentidas, o Heavy Metal tem influências de linhas de pensamento e de antigas culturas (sim!).
- O Black Metal foi/é influenciado por Nietzsche e Hitler, adota uma idéia de darwinismo social, além de ter visão crítica sobre política.

- O Folk Metal e seus ramos (viking, celta, etc) é adepto de folclores e mitologias, cultura nórdica, celta, medieval, andina.

- O Gótico usa elementos eruditas nas músicas, adotam temas de religião, alguns dos "cenários" são da era vitoriana outros da romana e moderna.
E é obvio a adoção ao estilo gótico europeu, que se tornam uma filosofia de vida. Além de abranger a arquitetura e vestuário.

- O estilo de canto gutural foi criado pelos monges tibetanos.
Outro exemplo é que, a Igreja Católica proibiu os músicos ocidentais de usarem o Trítono, que é um intervalo musical (de no mínimo 3 tempos) que aumenta a 4ª nota (deixa sustenida) ou diminui a 5ª (deixa bemol)
e isso causa uma certa sensação de "movimento" na música, muito usado em músicas clássicas pra fazer momentos de 'tensão'


Exemplos de trítono mais carregadas de tensão podem ser encontrados em algumas músicas como a 5ª Sinfonia, 1º Movimento de Beethoven, que possuem mais trítonos em sua construção harmônica.
O trítono é um elemento essencial do heavy metal, compondo a atmosfera musical que lhe é característica.

A Igreja achava que o trítono era a nota do diabo. Talvez seja daí que começou toda essa história de que Heavy Metal é do Diabo. (mas todos nós sabemos que esse negócio de que metal é do diabo é a maior bobagem, e que alguns que se utilizam disso, utilizam como marketing, mas isso fica pra um outro post, talvez, senão vou sair do meu foco)

Agora me digam, como que um estilo musical tão influenciado por outras culturas e filosofias, pode ser visto por alguns como simplesmente “bagunça, bate-cabeça e visual” ? E o visual faz o headbanger? Desde quando?
Quem garante que uma pessoa que anda TODO O TEMPO cheio de visual entende a melodia das músicas que ela escuta, as letras... Se eu colocar chinelo e blusa branca pra ir na padaria, ou se eu sair com a minha mãe, eu não sou headbanger?
Será que os nossos ídolos de metal se matam tanto pra compor uma música fodona com uma letra complexa, pra nós simplesmente “banguearmos” e nos preocuparmos com o nosso visual? Ou será que eles ficam muito mais satisfeitos quando um fã entende ou pelo menos tenta entender a sua composição, a sua letra, o sentimento que ela passa?
Bagunça é muito legal, banguear é muito bom e adoro me vestir como me sinto bem, mas não vamos nos esquecer do essencial :
Metal é cultura, e cultura é para ser apreciada também. E se o metal não fosse tudo isso, será que ele não teria “morrido” já?
Deixemos o simples exterior ser usado por pessoas “coloridas” e outros tipos de pessoas fúteis, como essas que a gente vê se achando porque têm isso ou aquilo, pois nós temos muito mais que apenas exterior.
Nós temos idéias, cultura, e temos que fortalecer isso para outras grandes bandas surgirem (principalmente aqui no Brasil), e fortalecer mais ainda nosso querido METAL!

(resposta à matéria estúpida da revista veja aqui nesse blog :
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